Uma vez mais, cá estou, a iniciar relatos que nunca sei onde vão parar. As aulas do primeiro semestre acabaram. Sentirei falta de dividir a sala com algumas boas surpresas... sentirei falta de algumas discussões acerca do cotidiano com um professor aqui, outra professora ali... mas, em si, não sentirei saudades das aulas.
Convenço-me, a cada dia mais completamente, que aulas não são mais o meu forte... quiçá, nunca foram. Entedio-me com a maioria delas... em verdade, ando deveras entediado... falta-me algo que sei o que... falta-me a vida que aqui não está...
Como se pode ter certeza de um relacionamento no qual o casal viu-se uma única vez, durante três dias? Um relacionamento que se iniciou por uma “coincidência”, incentivado, talvez, por um bug de um sistema de sites de jogos... em uma mesa virtual de sinuca... Como se pode ter tanta certeza de que é isso que queremos, que achamos, finalmente, quem amamos, que não haverá vida se não ao lado de quem se encontra distante hoje, como saber se é mesmo ele, como ter certeza de que é ela? Nunca poderei explicar. Nunca saberei responder. Só sei que a certeza está em mim, desde sempre, como se latente estivesse, esperando, aguardando, sorrateiramente, o estopim, o “start”, o estalo, o sininho que iniciasse a sequência, que demonstrasse, sem demonstrar claramente, que o amor bateu à nossa porta e que deveríamos dar uma chance a ele! E dei! E continuo dando! E darei! Farei esse amor florescer, tornar-se o jardim de minha vida, da vida dela, de nossas vidas.
Não posso me dizer seguro de tudo... algumas inseguranças insistem em me perseguir, e sei que me perseguirão por muito, muito, muito tempo...
Será que mereço mesmo ela? Conseguirei ser tudo o que ela um dia imaginou? Não sei, sinceramente, mas, com sinceridade maior que aquela que acompanha minha dúvida, farei de tudo para fazer de sua vida a mais completa de todas!
Confesso que me incomoda muito o fato de eu ainda ser um mero estudante, estagiário (pra não dizer escragiário), sem remuneração fixa, sem previsão de ganhos ao final de cada mês, dependo de ações que não se sabe quando terão um fim... dependendo da “bondade” de um “paitrão” quanto à porcentagem sobre os honorários que devo receber... ainda não posso assinar minhas próprias petições, não posso postular em juízo sem a assinatura de meu pai... devo engolir muitas coisas...
Sempre dou prioridade ao coletivo... sempre dou preferência ao pagamento de “dívidas” mais importantes, de meus irmãos, como a faculdade deles... e assim, sempre dando prioridade, nunca sou enxergado como tal... nunca tenho meus sonhos em primeiro plano... sempre renegando... sempre esperando... sempre aguardando...
E não entendem o porquê de eu tão facilmente “explodir” ultimamente.
Mais uma semana de sacrifícios parece estar começando... Mais uma vez os meus planos serão renegados ao segundo pelotão de prioridades... Mais uma discussão passou... Mais outras virão... Não sei até quando suportarei... Confesso!
Tudo o que quero é estar com ela... com a filha dela... e de três, sermos, finalmente, um... Mas pra isso é preciso o maldito dinheiro... esse verdadeiro mal maior do mundo que ninguém faz prece contra... ao contrário, enchem igrejas, templos e terreiros a fim de conseguirem fórmulas milagrosas de maior e melhor acesso ao verdadeiro demônio.
Penso sinceramente em largar tudo... desistir... correr... fugir pra ela, com cara, coragem, documentos e roupa do corpo... mas o mundo é cruel...
Que futuro daríamos a pequena, à nossa pequena? Penso nela mais que tudo. Sinto-me como se fosse o pai, sem ser... sem ao menos ainda ter-lhe tocado a face e dado um beijo de boa noite em sua testa... e eu, ateu, sei que estamos, eu, ela e a mãe, de alguma forma ligados... não encontrei explicações racionais para a quantidade de coincidências e pensamentos gêmeos... Somos três partes de uma mesma alma que luta com tudo contra todos para, novamente, e de uma vez por todas, ser novamente uma, feliz e realizada.
Dói-me constatar nossa distância. Dói-me saber que a amo tanto e tão verdadeiramente sem poder estar ao seu lado, sem poder ajudá-la em toda e qualquer eventual atribulação. Mas ser ateu talvez tenha um sentido...
Já testei de muitas crenças e verdades... católica, evangélica, espírita, wicca... fiz breves estudos sobre o islamismo, sobre mórmons... candomblé... nenhuma das ditas verdades me despertou a fé... E por isso, pensava eu até então, é que me tornei ateu... ledo engano!
Hoje sei que o ateísmo me faz reservar toda a fé que gastaria em verdades duvidosas, na única, maior, resplandecente e, perdoe-me a redundância, verdadeira verdade: O MEU AMOR POR ELA, O SEU AMOR POR MIM, E O FATO DE QUE TODOS OS OBSTÁCULOS QUE NOS FAZEM HOJE SOFRER SERÃO APENAS LEMBRANÇAS QUE FARÃO FORTALECIDOS O NOSSO AMOR.
Fantasioso demais, aparentemente. Mas o que é o Amor verdadeiro hoje, em meio a nosso mundo triste, cinza e amargurado, que não uma fantasia, uma lenda, uma história de contos de fada?
Que eu seja seu Rei, ela minha Rainha, com nossa pequena princesa, felizes para sempre!
E assim será!